Daniel Rosenbaum

Daniel Rosenbaum Atualizado: 01 de Agosto de 2024

É treinador de tênis Nível 2 da ITF, formado na Escola de Treinadores do Instituto Wingate de Educação Física e Esporte em Israel, graduado e licenciado na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo.

Durante longa e bem-sucedida carreira, tem contribuído significativamente com a indústria do tênis fazendo esforços eficazes para desenvolver e aprimorar jogadores, treinadores, clubes, academias, associações e federações de tênis.

Desde 1982 tem ensinado e treinado jogadores de todos os níveis, promovendo o jogo e a participação esportiva, planificando e implementando programas de ensino e treinamento para crianças, jovens e adultos iniciantes, jogadores em desenvolvimento, juvenis e profissionais.

Como participante, palestrante e produtor tem participado de inúmeros cursos, conferências e workshops de tênis nacionais e internacionais; organizou e conduziu mais de trezentos cursos de capacitação, sendo responsável por milhares de certificações.

Entre muitas atividades, fundou e coordenou o Departamento de Capacitação de Professores da Confederação Brasileira de Tênis, dirigiu o Programa de Formação de Jogadores da Associação de Centros de Tênis e Educação de Israel e coordenou projetos de desenvolvimento na Federação Paulista de Tênis.

Por muitos anos ensinou em um SPA Médico pacientes em risco utilizando o tênis como uma importante ferramenta adicional para combater o estilo de vida sedentário, diminuir a obesidade e melhorar o equilíbrio emocional.

Atualmente oferece cursos de Capacitação de Professores de Tênis no Brasil e no exterior, onde os participantes recebem programas de ensino e treinamento planificados, prontos para serem instalados e utilizados como guia para planejar o desenvolvimento a longo prazo dos jogadores.

Certas considerações que orientam a filosofia do nosso programa de ensino de tênis para jogadores iniciantes
Mesmo entendendo que treinadores de tênis tenham opiniões diferentes a respeito de como os jogadores poderiam rebater a bola – a forma “correta” versus a forma “incorreta” – ou que até mesmo concordem, na realidade finalmente aceitamos que não existem dois jogadores que rebatam a bola exatamente da mesma forma. Portanto, devemos ajudar os jogadores a encontrar sua forma individual de rebater.

Tênis é um jogo de habilidades abertas – de constantes mudanças de situações
A maioria das habilidades motoras são definidas dentro de um amplo espectro de habilidades fechadas a habilidades abertas. Nas modalidades esportivas de habilidades fechadas (natação, corridas, atletismo) existe uma necessidade mínima de improviso. As situações se repetem constantemente e requerem uma repetição mecânica bastante precisa.

No jogo de tênis, a ação premeditada de cada um dos jogadores ocasiona a reação imediata de seu oponente – e viceversa sucessivamente. Influenciando-se mutuamente, se deparam com constantes mudanças de situações que requerem adaptações e improvisações. Portanto, ensinar habilidades de execução tentando duplicar a técnica dos golpes e ignorando a natureza caracteristicamente aberta do jogo pode ser inútil, no mínimo limitante. Ensinar mecânica em demasia pode resultar em tensão, falta de habilidade para se adaptar às situações de jogo e frustração.

Em vez de insistir no formato apropriado com que os golpes devem ser executados, a maior parte do processo de aprendizado, especialmente dos iniciantes com poucas habilidades de coordenação, deve priorizar elementos coordenativos não menos técnicos – como percepções, intenções, posicionamento e timing – que ocorrem realmente antes da bola ser rebatida.

Em termos físicos, os jogadores iniciantes devem começar se dedicando na melhora da coordenação e na noção do posicionamento em quadra num contexto onde as situações variam relativamente. Simultaneamente, em termos mentais, devem decidir por escolhas táticas para os golpes em função da mudança de percepções.

Trabalhar a coordenação significa desenvolver a habilidade de movimentar-se antes do momento do contato para conectar a bola com o centro das cordas; assim como após o contato para recuperar a quadra imediatamente. Isto depende de percepções situacionais – onde o jogador está posicionado e como recebe a bola – e das intenções táticas – um significado razoável para o golpe – que provocarão as próximas situações.

Iniciantes têm dificuldades em lidar com o vôo complicado da bola. Por isto, facilitamos as tarefas através de exercícios progressivos de familiarização, controle do equipamento e adaptações como quadras pequenas e bolas macias que proporcionam condições amigáveis para alcançar a bola com tempo suficiente para rebater com relativo controle e sucesso. É importante destacar que neste período a técnica é variada e deliberada em função das situações – é executada de acordo com as condições, necessidades e intenções. Depois que a coordenação e a movimentação são razoavelmente desenvolvidas é possível começar a refinar a técnica dos golpes de forma introdutória em pequenas doses graduais.

Vale lembra que a "técnica do livro” corresponde a jogar em distâncias maiores e nao deve ser introduzida antes de dominar o jogo em distancias menores que exigem técnicas diferentes. Ensinar a “técnica correta” corresponde a um estágio de aprendizado da coordenação especifica de uma modalidade consideravelmente avançado, posterior ao estágio do desenvolvimento motor geral, da coordenação atlética básica e das experiências de jogo poliesportivas adaptadas. Em relação à construção da memória motora, é um fator inibidor e limitante uma vez que prioriza um movimento correto em vez de uma base motora hábil e versátil.

Os aspectos táticos são relativamente simples, mas importantes. O objetivo para os iniciantes é direcionar a bola com intenção e consistência. Os alunos, inicialmente posicionados mais próximos, devem aprender a controlar a bola dentro de certos limites, inclusive sem utilizar a rede. Assim que possível, progridem ainda em distâncias curtas utilizando mini quadras ou os quadrados de saque. Uma vez que o ensino é realizado em modo de jogo, ao menos através de trocas de bolas, devemos reforçar a todo momento o controle de bola dentro de limites estabelecidos. Aspectos coordenativos essenciais como timing, uso da raquete e intensidade muscular são adquiridos dentro de uma perspectiva onde as habilidades motoras se expressem de forma criativa, autônoma e intencional. É importante que o professor saiba criar situações de jogo e de treino onde se proporcione uma grande quantidade de repetições e estimulos para que seja efetivo em termos de oportunizar experiências suficientes e e bem sucedidas para que todos aprendam muito.

A questão tática está relacionada com tomar decisões. Iniciantes devem se ocupar ao máximo em desenvolver suas habilidades de controlar a bola até parecer automático e orientar seus pensamentos para decidir o que é melhor fazer com a bola. Obviamente, nesta fase os golpes não são perfeitos e um trabalho técnico poderia ser útil. No entanto, aliviamos sensivelmente as exigências de como o golpe é executado e se parece e mantemos o foco em como a bola é controlada e afeta o companheiro ou adversário. Pretendemos que primeiro aprendam como treinar em cooperação, como ganhar pontos e jogos e como evitar perde-los competindo com honestidade. E que gostem!

É importante mencionar que é quase impossível prestar atenção em técnica e tática ao mesmo tempo. Como toda ação se inicia com um pensamento (um significado para a ação), para mudar ações ineficientes devemos alterar pensamentos ineficientes. Por exemplo: muitos iniciantes pensam que para rebater a bola por cima da rede precisam se utilizar de muita força e de um movimento intenso ou que para ganhar um ponto precisam se arriscar. Como resultado erram muito mais do que acertam. Ensinando-os como segurar ou alavancar a raquete devidamente talvez não seja tão eficaz como ajudando-os a entender que não é necessário rebater tão forte. Esperar que executem os movimentos corretamente antes e em vez de controlar a bola costuma ser inclusive menos eficaz.

Sobre ensinar e aprender
Lembramos por um momento que, baseados em princípios, primeiro ensinamos coordenação enquanto reservamos o refinamento da técnica (que também é coordenação) para estágios posteriores.

Muitos professores tendem a confundir esta ordem assumindo que quando um jogador não pode fazer um contato sólido com a bola é por causa de falta de técnica apropriada. Eles oferecem instruções relacionadas com o movimento do corpo, onde o golpe deve começar e terminar. Como resultado sacrificam a coordenação dos alunos e sua habilidade de fazer o contato com a bola. Vemos muitos alunos que são orientados a executar os golpes de forma apropriada, mas a porcentagem de vezes que fazem um contato sólido e controlado com a bola é muito baixa. Certamente precisam se familiarizar com aspectos básicos como a recepção e projeção da bola (pegar e lançar com a mão) antes de conhecer aspectos posteriores como a execução de golpes.

Uma vez que a natureza do tênis é de constante mudança de situações, os jogadores devem frequentemente improvisar. Especialmente os iniciantes já que seu senso de quadra e posicionamento relativo à bola ainda está se desenvolvendo. As condições são de fato ideais para aumentar a experiência: praticar como reagir a estímulos imprevistos, criar soluções para cada um dos diferentes problemas e desenvolver antecipação (tomada de decisões de acordo com determinada situação de jogo). Somente jogadores experientes, altamente coordenados e bem treinados podem quase sempre executar perfeitamente a técnica dos golpes adequada para cada situação e ainda deixar lugar para a variação, o improviso e certa margem de erro.

Quando investimos em algo durante um longo período, criamos um senso de importância. Trabalhar na técnica dos golpes sem equilibrar com os aspectos táticos, geralmente cria uma percepção de importância distorcida ou desequilibrada. Ao ensinar a técnica dos golpes insistentemente cria-se uma convicção de que todos os problemas e soluções estão em corrigir a técnica. Na realidade, todo erro pode conter elementos de todos os aspectos, tanto físicos, táticos como mentais. Quando um jogador erra uma bola, pode ser porque tentou fazer mais do que era preciso, não estava consciente da tática ou fez um erro técnico. Talvez estivesse nervoso ou apático. Às vezes todos os aspectos estão envolvidos e é necessário descobrir qual é o ângulo mais apropriado para abordar a orientação. Acreditar que tudo provem de um único aspecto significa criar uma falsa percepção que termina reduzindo a habilidade de aprender e de executar. Embora pareça difícil, o ideal é saber conviver com os erros sem comentar, analisar, criticar, rejeitar, justificar e corrigir sempre que ocorrem. Sem exceção. Aceitação e linguagem verbal e corporal positiva devem fazer parte do repertório de comunicação e demonstração da personalidade do professor. Centenas de pesquisas foram realizadas para aumentar o conhecimento sobre o jogo. Porém, muito pouco é pesquisado a respeito do ensino do jogo. Recentemente, o papel do treinador se tornou mais complexo e mudou de “mostrar como se faz corretamente” para orientar, educar e gerenciar o processo de aprendizado. Mudamos da ciência do jogo para a ciência do aprendizado e devemos manter o foco para continuar com a mudança nas formas de ensino. Ensinar bem valoriza “como aprender” tanto quanto ou até mais do que “o que aprender”. Inclusive, definir como se aprende estabelece e ordena aquilo que se aprende.

Basicamente, existem duas abordagens para aprender habilidades motoras. Uma parte do princípio de ensinar os detalhes para criar o todo enquanto que a outra ensina primeiro o todo e lentamente aperfeiçoa os detalhes. Uma vez que tênis é um jogo de habilidades abertas, é necessário ensinar do todo para os detalhes. Em outras palavras, os jogadores devem aprender basicamente a controlar a bola para serem capazes de jogar e adquirirem experiências reais. O exercício de controlar a bola já é por si uma forma natural e atraente de jogar e se entreter. Enquanto o entendimento do jogo aumenta ao longo do tempo, consequentemente os golpes também se tornam mais refinados e eficientes como parte do processo. O objetivo é ajudar os alunos a se sentirem imediatamente jogadores que estão melhorando constantemente em vez de se sentirem alunos que ainda estão aprendendo os golpes e talvez se tornarão jogadores em algum momento no futuro.

A respeito dos métodos de ensino
O modo de prática, para a maioria dos treinadores, acontece quando eles lançam bolas do cesto para que os alunos rebatam. Chamamos este método de “exercício de bolas mortas” porque não há trocas de bolas – as bolas rebatidas não são devolvidas. Pode parecer atrativo, os alunos estão de alguma forma ativados, treinam duro e o treinador está totalmente envolvido. Este tipo de prática é eficaz quando pretendemos prestar atenção em algum golpe específico para melhorar algum hábito específico. Neste caso, o treino deve ser de intensidade suave a moderada para que o aluno possa repetir e render com qualidade de forma prolongada. Dentro do possível, podemos também pretender reproduzir situações de jogo na intensidade real, devendo também simular necessariamente os intervalos de esforço e de descanso correspondentes. Contudo, há uma enorme distância com a realidade do jogo – em princípio não há adversário. Somente jogadores muito experientes sabem se iludir e se sentir “como no jogo” neste tipo de treino.

O modo de jogo é quando a bola está sendo devolvida pelos jogadores e se conta pontos. É chamado de “exercício de bola viva”. Este tipo de treino é mais aberto e mais real. Trabalha no efeito da variação e da consistência porque enquanto apresenta mudanças de situações, as bolas são devolvidas com maior responsabilidade.

O modo de jogo é menos eficaz para estabelecer hábitos mecânicos mais específicos. Por esta razão, muitas vezes não é considerado um método de ensino e sim uma oportunidade para que os alunos se divirtam e joguem de forma mais descontraída e irresponsável. Alguns, supostamente seguindo uma progressão metodológica, aproveitam a opção para aplicar e colocar à prova detalhes técnicos exercitados anteriormente durante o modo de prática. Poucos enxergam neste método uma oportunidade para (e sabem como) ensinar os aspectos táticos e mentais do jogo. Alguns consideram que jogar não é treinar.

O pensamento convencional diz que os alunos em níveis mais baixos precisam estar ao máximo no modo de prática. Em outras palavras, o modo de jogo é mais associado com os jogadores avançados. Este tipo de escola assume que iniciantes não dominam a execução dos golpes, consequentemente não tem a habilidade para dominar a bola e, portanto, não podem jogar jogos. O treinador, “atento às necessidades dos alunos”, opta por lançar bolas exatamente da mesma forma repetitivamente com a ideia fixa de melhorar os golpes. Como resultado, o treino se torna chato e fora da realidade. Muitos jogadores que rendem bem no treino e não conseguem traduzir seu sucesso ao jogar em situações de jogo tendem a se sentir frustrados e insatisfeitos constantemente. O maior probelma do modo de prática é associá-lo à disciplima e controle. Os alunos estão geralmente praticando em fila uma atrás do outro, cada um esperando que chegue sua vez de experimentar na frente do professor que pode assisti-lo, observando e criticando. O número de experiências por aluno é o mais baixo possivel e o proveito do tempo de treino é mínimo. Porém, o professor está ativo constantemente e pensa que o treino acontece enquanto todos os alunos esperam na fila. Apesar de tudo, no melhor dos casos, alguns mais teimosos sobrevivem.

O modo de prática é muito comum para os jogadores de alto nível em poucos momentos durante o ano porque estão a maior parte do tempo em modo de jogo competindo e treinando. Quando raramente estão longe dos períodos de competição, utilizam as sessões de treino oportunamente (modo de prática) para fixar convenientemente a técnica que se perde naturalmente ao jogar. Contudo, entendendo que cada nível tem suas necessidades, é prudente não se confundir nem transferir os modelos de prática dos avançados para ensinar jogadores iniciantes.

Ultimamente, métodos modernos de ensino priorizam a necessidade de ajudar os alunos a jogar jogos o mais cedo possível. Estrategicamente podem “sacrificar aspectos técnicos” momentaneamente para favorecer os alunos a desenvolver qualidades coordenativas, aumentar a vivência do jogo real e lidar com as mudanças de situações. E a gostar mais! Concluímos que quanto mais longe o jogador está da linha natural, mais ele precisa trabalhar nas habilidades de coordenação como adquirir senso de quadra (orientação), reagir às mudanças de situações (reação), movimentar-se (equilíbrio) para fazer contato com a bola (timing) e controlar as trajetórias variadas das rebatidas (diferenciação).

Portanto, o ensino “não menos técnico” deve ser mais no modo de jogo (que prioriza a habilidade aberta de decidir por determinada execução) e menos em modo de prática (que prioriza a técnica fechada de determinada execução). É importante assumir que o treino será justamente técnico e devidamente de acordo com as características específicas do tênis uma vez que se ocupa com habilidades abertas e (leva em consideração) tarefas motoras variadas. A questão principal está em determinar onde está o foco: em tomar decisões e controlar a bola intencional e espontaneamente ou em modelar apropriadamente o golpe seguindo exemplos estabelecidos? Somente os jogadores avançados podem fazer tudo ao mesmo tempo. De preferência, os jogadores iniciantes devem se focar em um objetivo de cada vez para que seja mais fácil dedicar-se e aprender.

O professor devera decidir com critério se o treino será no modo de jogo para estimular objetivos táticos, sociais, emocionais e não menos técnicos já que a execução motora está literalmente em jogo; ou se será em modo de treino uma vez que é conveniente sair do jogo e adaptar as condições para se dedicar a um objetivo técnico que dificilmente possa se praticar duranto o jogo. O critério deve incluir a proporção entre um modo e outro de treino. Ao contrário do que se costuma tradicionalmente pensar, quanto mais se treina no modo de jogo maiores são as oportunidades de transferir aquilo que se treina no modo de treino. Por mais que se treine menos. Portanto o bom senso nos diz que se deve treinar mais no modo de jogo aberto para desenvolver integralmente as habilidades abertas do que no modo de treino fechado, onde somente se desenvolvem as habiidades técnicas fechadas.

As ciências do ensino e a experiência nos levam a crer e afirmar que inicialmente é mais legítimo e apropriado aprender a tarefa motora de forma espontânea em função de sua utilidade num contexto mais global. Gradativamente, quando possível e necessário, é conveniente aprender padrões motores de forma orientada em função da progressão (distanciamento) num contexto mais parcial. Oportunamente e em doses suaves.

Existe um velho argumento a respeito dos benefícios de ter muitas escolhas. Quanto mais escolhas temos, mais o apetite aumenta. No começo, os jogadores ficam felizes somente com rebater a bola para o outro lado da rede. Com o passar do tempo, adquirem outras habilidades que abrem possibilidades para a criatividade. Quando um jogador é capaz de direcionar a bola para a direita, esquerda, alta, baixa, mais forte, mais fraco e entende como tomar decisões baseadas em atacar e defender em função de situações de jogo em que se encontra, ele sente que possui ferramentas decentes e assim seu apetite para utilizá-las aumenta.

Alguns pensam que ter muitas opções pode causar confusão e outros consideram como oportunidades. De qualquer forma que vejamos, os jogadores precisam adquirir e organizar a maior quantidade de ferramentas e aprender a utilizalas efetivamente a todo momento. Este processo se chama maestria.

O equilíbrio adequadamente estabelecido entre o aprendizado espontâneo resultante das experiências “abertas” adquiridas ao jogar jogos e o aprendizado orientado resultante das experiências “fechadas” adquiridas ao praticar modelos, fornecerá aos jogadores a combinação ideal para que desenvolvam seus golpes de forma individual dentro de padrões minimamente aceitáveis e os utilizem de forma tão criativa quanto minimamente disciplinada. O dilema do professor está em ordenar este equilíbrio. Ensinar é um laboratório prático onde saber se ajustar e ajustar, se adaptar e adaptar, experimentar e melhorar é um exercício constante. A tarefa do professor é fazer com que os alunos sejam um pouco melhores no final de cada exercício, no final de cada aula.

Modelando atitudes
Durante a etapa de iniciação, todas as bases são ensinadas. É o período onde os alunos mais dependem do professor. A maioria dos alunos que tomam aulas começam sentindo que terão dificuldades e que o professor os ajudará a aprender. É uma situação crucial onde assegurar o sucesso afasta os temores para longe. A responsabilidade do professor não só determina o que ensinar, mas principalmente como.

Os aspectos mentais são considerados ao aplicar um ensino eficaz para criar ciclos positivos de aprendizado e respostas emocionais. A forma como ensinamos nesta primeira etapa afeta os alunos dramaticamente. Pode determinar se eles crescerão para se transformar em dependentes frustrados e desamparados, ou em solucionadores de problemas maduros e independentes.

Os aspectos mentais, na maior parte, são basicamente as atitudes e os comportamentos durante os jogos e treinos. Os alunos costumam observar como os tratamos e, frequentemente, tratam a si mesmos de acordo. Uma das atitudes mais ineficazes é ser julgador. Se os julgamos, inclusive seu caráter, não vai demorar muito para que julguem a si mesmos, o que leva a um ciclo de frustração. Os jogadores sempre sentem que podem fazer melhor. No entanto, quando a crítica e as decorrentes falta de paciência e frustração se tornam uma maneira de ser, o aprendizado demora ou pode não acontecer e levar a desistir de jogar.

Na mesma moeda, se modelarmos paciência e uma abordagem não julgadora, combinada preferencialmente com uma atitude prática de resolução de problemas não emocional, este será o comportamento ao qual se adaptariam e que melhor adotariam para si mesmos em longo prazo. Para modelar atitudes positivas em longo prazo, o jogador deve entender onde está, para onde está indo, como fará para chegar lá e saber que o professor estará sempre do seu lado apoiando-o, e não o estará julgando nem o colocando para baixo. Vale mencionar que quando o professor permite que o alunos sejam criativos, decidam como resolver problemas (que possam resover) e tenham liberdade para experimentar sem medo de errar, cria uma relaçao de confiança e respeito que será devolvida reciprocamente na forma de interesse e aceitaçao por parte dos alunos.

Jogar duplas e realizar tarefas cooperativas oferecem uma grande oportunidade para educar atitudes. Quando um jogador está se colocando para baixo podemos perguntar-lhe: você trataria seu companheiro assim? Ou, você gostaria que seu companheiro o tratasse assim? Devemos manter em nossas mentes que nossas crenças e atitudes modelam as deles e devemos ensina-los que, para ser bons jogadores primeiro aprendem a ajudar uns aos outros, incluindo a si mesmos. O melhor exemplo de como ajuda-los é planejar aquilo que ensinamos de acordo com suas capacidades criativas. Ordenando a combinação de momentos de aprendizagem espontânea com momentos de orientação, criamos um ambiente seguro onde os alunos se sentem em confiança para experimentar, conseguir e aprender. E gostar!

Divirtam-se junto com seus alunos!

Os jogadores avançados adquirem a maior experiência de jogo e possuem a melhor preparação técnica.

De forma inevitável e inversa, quanto mais jogam mais a técnica sofre desgaste e se deforma.

Durante os jogos, apesar de manter tendências frequentes, se encontram constantemente em diferentes situações de jogo e posicionamentos em quadra.

Além de enfrentar situações tensas e comprometedoras, procuram se controlar reciprocamente e colocar um ao outro em condições incômodas para rebater a bola. Para eles é difícil rebater "corretamente" e com conforto.

Os golpes que decidem executar são circunstanciais, situacionais, intencionais e decisivos - ora de ataque, ora de defesa, ora emergenciais - variados e eventualmente improvisados.

É importante possuir:
• Conhecimento tático para planejar e disciplina para executar as jogadas estrategicamente.
• Uma base técnica ampla e versátil que permita realizar os devidos ajustes e as adaptações oportunas.
• Destreza e “boas mãos” para poder manobrar e "fazer o que se quer com a bola” em todas as situações.

As constantes prolongadas participações em torneios não só desgastam e deformam a técnica mas impedem os jogadores de treinar e aperfeiçoar a execução correta dos golpes. Durante as competições o foco é vencer os adversários e não se costuma desviar a atenção e treinar a técnica. Não ha tempo, condições nem energia disponível.

Para poder se concentrar nos aspectos técnicos os jogadores escolhem estrategicamente alguns períodos durante o ano. Após um período de descanso ou transição, se preparam para a próxima etapa de torneios e nos períodos de preparação geral se dedicam exclusivamente a reformatar a técnica básica e deixar os golpes em ordem. Para isto se utilizam de treinos longos de baixa intensidade - aeróbicos - muitas vezes à base de lançamentos do cesto do treinador, nos quais retomam o contato com a bola, a regularidade, a precisão e a própria execução correta dos movimentos. Quanto mais simples for a técnica do jogador, mais fácil será retomá-la em menos tempo. Fazer a revisão mecânica periodicamente para realinhar os golpes e limpar a técnica é parte fundamental da preparação. Os jogadores precisam manter a técnica em dia.

Portanto, ao longo do ano, em poucos períodos isolados e relativamente curtos, os jogadores treinam muito os aspectos exclusivamente técnicos lançando mão inclusive de métodos fechados de treinamento. Como estão longe das competições o treino pode ser distante da realidade do jogo.

Treinam basicamente a técnica básica, aquela que servirá de base para os golpes avançados, intencionais, de uso tático, preferencialmente agressivos, potentes, acelerados e que se formatam diferentemente (deformam) em função de cada decisão - situação de jogo.

A caminho da competição o treinamento se modifica convenientemente se assemelhando especificamente ao jogo. A técnica se ajusta gradativamente às necessidades táticas dos torneios que serão disputados, aos padrões de jogo que serão utilizados e aos adversários que serão enfrentados de acordo com o ambiente.

Os treinos táticos e os próprios jogos, ao repetir sistematicamente as mesmas jogadas terminam colocando os jogadores mais vezes em mesmas situações condicionando tendências técnicas especificas de movimentação e golpeio. Os intervalos de treino são mais intensos e curtos com descansos relativos - anaeróbicos - semelhantes aos pontos que serão jogados. Ritmo de jogo, resistência especifica, aspectos táticos e ajustes técnicos passam a ser prioritários. Se treina jogando e fica mais emocionante.

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A técnica avançada derivada da técnica básica, executada em situações desfavoráveis com a intenção de desfavorecer o adversário termina deformando a própria base técnica da qual se origina.

Apesar de tudo, durante os períodos competitivos sempre é possível encontrar momentos oportunos para recolocar os golpes no lugar. O aquecimento dos treinos, apesar de ser mais curto, por ser inicialmente suave e aeróbico, pode cumprir com seu papel técnico. Durante os jogos sempre é possível encontrar um momento para relembrar uma técnica satisfatória ao lançar a bola para o adversário no final de um ponto ou quando a bola é fora e se aproveita a oportunidade para rebater sem pressão. Após os jogos, se recomenda recuperar com um bate bola descontraído para relaxar, estender os golpes, reencontrar o formato e boas sensações.

Em todo caso, se espera que um jogador avançado saiba executar corretamente todos os golpes, conviver com os altos e baixos da técnica e reconhecer a oportunidade para treina-la.

Que exemplos dos jogadores avançados se deve transferir para os jogadores em formação?
• Se os jogadores avançados jogam muito e treinam a técnica comparativamente pouco, os jogadores em formação também deveriam jogar muito para aprender a jogar e a gostar de jogar e treinar a técnica de forma complementar para melhorar o nível de jogo.
• Se os jogadores avançados treinam devagar a técnica básica para reformar os golpes que se perdem ao jogar, os jogadores em formação deveriam utilizar os modelos educativos da técnica básica para aprender devagar a rebater corretamente.
• Se os jogadores avançados estão permanentemente modificando e aperfeiçoando a técnica, apesar das dificuldades de fazê-lo em função dos compromissos competitivos, os jogadores em formação deveriam entender que a técnica que se adquire não é definitiva e sempre poderá ser modificada para melhor.
• Se os jogadores avançados quando jogam estão concentrados em jogar para ganhar, os jogadores em formação deveriam jogar para aprender a ganhar e verificar aquilo que fazem com a bola para prejudicar seus adversários em vez de se preocupar com a técnica dos golpes que executam.
• Se os jogadores avançados quando jogam estão constantemente tomando decisões para rebater, os jogadores iniciantes deveriam praticar mais com métodos abertos de treinamento para desenvolver suas habilidades (técnicas) abertas e aprender a executar os golpes em base a decisões. Isto é, aprender a decidir para executar os golpes. Portanto a abordagem tática predomina, precede e justifica a orientação técnica.
• Para desenvolver as habilidades abertas e facilitar a tomada de decisões os jogadores avaliam a trajetória intencional de seus próprios golpes, percebem a situação em que colocam seus adversários deduzindo e no melhor dos casos induzindo como estes rebaterão para se preparar e decidir antecipadamente com que golpes reagirão. Jogadores iniciantes aprendem a interligar os golpes e a perceber que a projeção de um determina a projeção do outro e assim se preparam para reagir sucessivamente…

Diferença entre os jogadores em formação e os jogadores avançados

Durante os períodos de formação é importante priorizar: o desenvolvimento técnico e tático é mais importante que os resultados competitivos. As competições cumprem seu papel de promover experiências, complementar e avaliar o treinamento. Se compete para aprender a competir, e se aprende a treinar ao competir.

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Quando o jogador atinge o nível avançado o treinamento complementa a competição. Se compete para ganhar e se treina para competir da melhor e na melhor forma possível. Quando se joga, é possível treinar em alguns momentos esporádicos: quando um é jogo fácil e quando a contagem permite.

• Se vemos (quando vemos) que os jogadores avançados eventualmente treinam muito a técnica com lançamentos do cesto em determinados momentos, não significa que os jogadores em formação devem fazê-lo sempre, inclusive em vez de jogar.
• As técnicas avançadas e individuais que os jogadores executam durante os jogos não são aquelas que servirão de modelo educativo para que os jogadores em formação aprendam a rebater.
• Os "golpes do livro" que são ensinados são ferramentas para alavancar uma bola com precisão e profundidade do fundo da quadra. Os golpes avançados são ferramentas agressivas para girar e acelerar a bola ainda mais.
• Jogadores iniciantes começam suas experiencias jogando de perto, tocando e controlando a bola com golpes inofensivos. À medida que se distanciam da rede a trajetória dos golpes se amplia, para trás e para frente, para prolongar a trajetória da bola. Seguindo a progressão, no começo desenvolvem o tato com a bola para depois ampliar e por último acelerar o contato com a bola.

Progressão:
• Jogadores iniciantes desenvolvem primeiro o toque e a sensibilidade.
• Jogam de perto com golpes curtos, presos e lentos - seguros. É o suficiente para controlar a bola. Aos poucos ganham confiança e se afastam. Quando jogam de mais longe os golpes se modificam e se prolongam para alavancar a bola com mais força, mais altura e profundidade - mantendo o controle e a precisão.
• Jogadores avançados jogam de longe com golpes longos, soltos e rápidos - arriscados. Rebater com golpes relaxados é também uma forma de descontrair e lidar com a pressão do jogo.
• Jogadores iniciantes precisam aprender a mover a raquete. Utilizam raquetes mais leves, largas e com mais peso no centro. Bolas mais leves e fáceis de controlar também.
• Jogadores avançados deixam que a raquete (com as cordas) se mova sozinha e faça o trabalho. Utilizam raquetes mais pesadas, finas e com mais peso no aro. A bola é mais pesada e "anda mais”.
• Jogadores iniciantes aprendem a mover seu corpo e a coordenar os movimentos.
• Jogadores avançados se movimentam naturalmente com movimentos coordenados.

Assuntos polêmicos DENTRO OU FORA?

• Para jogar tênis precisa precisa ter boa técnica. (FORA)
A maioria dos jogadores do planeta não têm aulas de tênis e jogam com técnica questionável. Não serão grandes jogadores. Preferem jogar a aprender, se divertir a se aperfeiçoar.
Inclusive, a industria também desenvolve raquetes e bolas para quem não sabe jogar e não tem boa técnica.
É comum ver que os jogadores que se empenham em ter boa técnica perdem para os jogadores que jogam “feio” e não se convencem de como isto pode acontecer.
Aprender a técnica de execução dos movimentos não é divertido nem ensina a jogar. Ao contrário.
Priorizar a técnica e o perfeccionismo excessivo substitui o gosto pelo jogo, ilude e restringe.
Porém, jogar com limitações e possíveis lesões termina sendo limitante, frustrante e desencorajador.
Somente jogar assim como somente aprender os golpes não e suficiente para jogar bem. Primeiro aprender a controlar a bola - também é técnica - e jogar - também é tática. É mais divertido.

• Alunos que aprendem os golpes "corretos” em vez de aprender a jogar, futuramente ganharão daqueles que jogam e são limitados tecnicamente. (FORA)
Alunos que somente aprendem os golpes e não desenvolvem a sensibilidade e o controle de bola costumam perder para aqueles que não têm aula e somente jogam. Aprendem a perder e a acreditar que a técnica é a razão de tudo. Não gostam de perder, têm medo de jogar e desistem. É melhor desenvolver jogadores que aprendem a jogar e melhoram a técnica como parte do jogo do que ensinar alunos a rebater mas que nunca jogam nem ganham.

• Os jogadores iniciantes que jogam com técnica precária e limitada viciam e não poderão melhorar. (FORA)
Ao contrário, ficam mais viciados e limitados se aprendem os golpes imitando a técnica dos jogadores avançados. Não desenvolvem o toque, a sensibilidade e o controle de bola. Não conseguem trocar bolas com controle e responsabilidade porque aprendem com métodos fechados. Tem poucas ferramentas e nenhuma versatilidade para solucionar os problemas do jogo. Praticamente não jogam de tanto que priorizam a técnica. Sao ensinados a imitar modelos avançados sem ter conhecido e dominado previamente os modelos básicos. São ensinados a dominar movimentos complexos que não precisam e para os quais não estão preparados sem antes desenvolver uma base coordenativa geral que inclui aprender a dominar a bola e a controlar sua trajetória.
É incongruente, ingênuo e incerto pretender transferir os modelos dos golpes avançados para os jogadores em formação. Discrepante de qualquer noção pedagógica e principio didático, torna o ensino corretivo, reduzido, parcial, ineficaz e entediante para professores e alunos. (MUITO FORA)


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• A técnica "do jogo" é diferente da técnica "do treino". (FORA)
Neste caso o treino não seria especificamente adequado. De fato, o treino deveria mudar, estimular, promover e desenvolver outra técnica. A técnica do jogo corresponde a uma intenção tática muito mais que a um formato de execução. Os jogadores em formação devem praticar em situações abertas para aprender o jogo e perceber a importância de controlar a bola e de aprender a técnica básica, ampla e versátil. Quando se aprende e se treina a técnica básica - lenta, longa, neutra e sem intenção - aparentemente não se esta executando a técnica de jogo - rápida, agressiva, variada e de uso tático intencional. Porém, se está construindo uma estrutura sólida que se esconde de forma imperceptível sustentando os golpes que são executados ao jogar.
Existem momentos em que se treina a técnica básica estrutural e momentos em que se treina a técnica intencional. Ambas são importantes e se complementam. A básica vem primeiro, basicamente.

• Para jogar tênis bem precisa de boa técnica também. (DENTRO)
Não é imediato e tem seu preço. Poucos adquirem boa técnica e podem ser jogadores avançados.
Se familiarizar com a raquete e a bola, controlar a bola com raquete, controlar a (angulação da) cabeça da raquete e a intensidade muscular, olhar para a bola, tocar e sentir a bola com o centro das cordas, inspirar e expirar, orientar as diferentes trajetórias de bola, rebater com diferentes efeitos, empunhaduras, amplitudes e velocidades de movimento, rebater de diferentes locais em diferentes situações, bolas fáceis e difíceis, tendo que decidir o que e como fazer seguindo um plano de jogo.
Valendo, muitas vezes nervoso, temeroso, irritado, chateado, desesperado, desmotivado, desconcentrado, desorientado, envergonhado e cansado, enfrentando um adversário que também que ganhar.
Tendo que manter a calma, a concentração, o ânimo e a força de vontade, a autoestima, o otimismo, a valentia e a vontade de vencer. Tudo isto é técnica: todos os diversos golpes que o jogador executa em todas as situações adversas em que se encontra.
Executá-los corretamente também, se possível de preferência.
Segurar a raquete corretamente, executar movimentos corretamente, encontrar a bola no ponto de contato na frente do corpo corretamente e levar o peso para a frente é uma visão muito limitada da técnica.

Lições:
• A técnica no tênis é muito mais que executar movimentos “corretos". Por ser um esporte de habilidades abertas, a técnica dos golpes é versátil e varia de acordo com as intenções táticas. A escolha pela execução deve ser circunstancial e conveniente taticamente.

• A técnica correta compreende controlar a trajetória da bola e para isto, tudo aquilo que o jogador deve executar antes, durante e depois de rebater a bola. Exige conhecimento tático para tomar as decisões corretas e alto grau de destreza para executar os movimentos específicos.

• Executar os golpes corretamente corresponde a um estágio avançado da coordenação motora especifica da modalidade. Exige anteriormente o aprendizado de uma base coordenativa genérica, atlética e multi-esportiva. No caso do tênis, exige especificamente desenvolver habilidades de recepção e projeção e o vínculo entre as mesmas.

• O formato de um golpe avançado por ser intencionalmente potente e acelerado deforma a técnica básica que é executada sob controle e devagar. Portanto, seu formato não deveria ser ensinado porque é impossível controlar os movimentos quando são executados rapidamente e não faz sentido ensinar devagar aquilo que somente acontece em função da rapidez.

• O que deve ser desenvolvido é um “movimento atlético de arremesso”: uma sequencia de movimentos que encadeia o uso das pernas, a rotação do tronco, a extensão do braço (cotovelo / punho) para acelerar a cabeça da raquete. Quando praticado rapidamente, aquilo que acontece com a raquete é difícil e inútil controlar porque é resultado da aceleração. Quando praticado devagar, a raquete não sofrera o efeito da aceleração.

• Os exercícios dos modelos educativos da técnica básica que são praticados devagar para aprender os golpes na iniciação serão sistematicamente utilizados ao longo da carreira do jogador para reformatar os golpes que se deformam ao jogar com golpes rápidos ou variados.

• A técnica de execução inclui o controle da trajetória (aquilo que o jogador faz com a bola com finalidade tática), o controle dos sentidos ao rebater (olhar a bola, tocar a bola no centro das cordas, ouvir o som do contato das cordas com a bola, expirar ao rebater) e o controle dos movimentos do corpo e da raquete no tempo e no espaço (episódio do golpe de split step a split step).

• A abordagem baseada na compreensão do jogo não exclui a importância de desenvolver a técnica correta e completa justamente porque a capacidade de executar padrões táticos de jogo depende do arsenal de golpes necessários que o jogador possui. O jogador limitado tecnicamente que não possuir tal arsenal ficará limitado taticamente sem possuir as respostas necessárias. Seus pontos fracos ficarão expostos e serão certamente explorados assim que percebidos por um jogador perspicaz e capaz.

• A abordagem baseada na compreensão do jogo não exclui que a técnica deva seguir princípios mecânicos porque deve ser uma expressão individual particular de cada jogador. Apesar de justificar uma padronização mecânica conveniente e convincente que ajuda a resolver grande parte dos problemas (de tempo e distancia) que os tenistas enfrentam ao jogar, parte considerável dos problemas somente podem ser resolvidos em função de habilidades coordenativas e destreza manual. A habilidade de imitar movimentos padronizados e a habilidade de inventar movimentos se complementam. É importante oferecer a liberdade para que o jogador expresse sua interpretação do jogo através de seu estilo pessoal tomando os devidos cuidados para não permitir que sua individualidade criativa venha em detrimento dos princípios universais e lhe seja prejudicial.

• A abordagem baseada na compreensão do jogo preconiza que os jogadores avançados estejam suficientemente preparados para enfrentar sobre tudo os desafios físicos e mentais - emocionais - e determina que o condicionamento tático e técnico se complementem para que possam executar planos de jogo com competência e convicção.

• Jogadores em melhores condições físicas e mentais poderão desempenhar melhor suas competências táticas e técnicas. Porém, seria ingênuo não considerar que os jogadores não se encontrem eventualmente na melhor das condições, principalmente no fim de jogos longos e disputados.

• No tênis não tem reservas. Treinadores precavidos preparam seus jogadores para que justamente nestes momentos decisivos de incerteza e cansaço desempenhem da melhor forma possível: fortalecidos mentalmente, disciplinados taticamente e competentes tecnicamente.

Conclusões:
A técnica evolui. Aquela que era correta e aceitável no passado fica obsoleta, é superada e cai em desuso.

Qual é a técnica correta e que deve ser seguida se varia em função da situação de jogo?

A dos jogadores avançados que estão em evidência hoje? Qual deles se são todos diferentes?

Os próprios jogadores avançados ao longo de seus 30 anos de atividade modificam o formato de seus golpes. Como era a técnica no passado? Como será a técnica dos jogadores no futuro? O que é permanente?

• A "técnica correta” deve ser atemporal em vez de se inspirar em modelos momentâneos.

• Deve seguir princípios físicos universais e não argumentos biomecânicos que explicam e prescrevem os gestos dos campeões de plantão. Quem escolhe os campeões exemplares e quais são seus gestos escolhidos?

• Deve ser uma técnica básica e formativa, um molde do qual se cria e se deriva e ao qual se retorna quando se distancia.
• Deve ser uma técnica educativa e saudável. Um modelo natural, simples de imitar e fácil de executar.
• Deve ser uma técnica fluida, harmoniosa, ritmada, continua, leve, equilibrada, elegante, sólida, duradoura, segura, confiável, leal.
• Deve ser uma técnica possível em todas as idades e não particular de uma fase em que se está no auge do potencial atlético e se pode desempenhar com o máximo de potência.
• Deve ser uma técnica útil que forneça a maior quantidade de recursos para corresponder nas situações mais problemáticas (de tempo e espaço) em que os jogadores se encontram.
• Que se aproveita da gravidade e da capacidade muscular, que não desgasta nem exige além de aprender.
• Que relacione e associe boas execuções a bons resultados e a boas sensações. Causa e efeito.
• Que proporcione satisfação para quem desempenha corretamente e compense o empenho de quem aprende.

No passado acreditávamos que a técnica era primordial e quem não tivesse boa técnica não conseguiria jogar. Dedicávamos muito tempo do treinamento priorizando o ensino dos golpes corretos. Durante muito tempo seguimos esta tradição. Com o tempo entendemos que executar golpes corretos não desenvolve o controle de bola nem a noção de como jogar para ganhar dos adversários. Os conteúdos e métodos não correspondem à especificidade do jogo. Somente faz com que professores e jogadores virem reféns dos próprios golpes.

Hoje entendemos que é importante aprender a controlar a bola para poder praticar e jogar imediatamente.

Novos materiais e métodos de ensino contribuem muito para tornar as aulas mais desafiadoras e divertidas; estimular a liberdade de expressão e provocar o espirito criativo; promover a participação legítima do aluno na construção de seu jogo e do seu aprendizado motor.
Tudo isto aumenta a confiança de todos aqueles que experimentam porque se sentem respeitados, capazes de ter sucesso e motivados a progredir.

Hoje entendemos que as habilidades abertas que envolvem percepção, tomada de decisões, conhecimento tático, coordenação e destreza são preponderantes e determinam os conteúdos e métodos de treino.

As habilidades fechadas não são menos importantes ao complementar o aprendizado aperfeiçoando a qualidade e aumentando a utilidade dos movimentos. Agregam valor.

É melhor desenvolver jogadores que jogam e progridem melhorando também a qualidade de seus golpes do que ensinar insistentemente os golpes a alunos que não aprendem a jogar.

Controlar a bola é técnica e coordenar os movimentos também.

Hoje é mais fácil decidir aquilo que é prioritário.

Deliberadamente não nos concentramos em abordar assuntos sobre a “técnica”, aquela que explica como se segura a raquete, como se executam os movimentos, onde se impacta a bola…. É importante também e pode ficar para outro período.

rogerio50

BONS TREINOS E BONS JOGOS!